26 de Agosto de 2017

“O amor não busca outro motivo”

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E vós, quem dizeis que eu sou?

Sempre que me deparo com esta pergunta de Jesus durante a leitura orante da Sagrada Escritura fico inquieto e desconcertado. Pois esta quando atualizada na criatividade do Espírito personaliza a relação com o Senhor, aqui, sem deixar de ser povo, sou tratado como pessoa.

Lançados neste contexto atual de um cristianismo sem espírito, onde Jesus é utilizado conforme a conveniência, ora como curandeiro, ora como terapeuta, ora como advinhador do futuro, ora como cuidador de egocêntricos, mas raramente contemplado como Senhor e Mestre Servidor.

“O amor não busca outro motivo nem outro fruto fora de si; o seu fruto consiste na sua prática. Amo porque amo; amo para amar”
São Bernardo de Claraval

Somente penetrados neste Mistério do Amor Divino, palpável em Jesus Cristo, poderemos responder à citada inquietante questão.

A pergunta de Jesus nos desconcerta porque nem sempre estamos prontos a responder “Tu és o meu Amado” devido aos ídolos que maculam a fidelidade prometida.

Na transcendência do caminho místico,  “o amor não busca outro motivo”, a alma se contenta em amar e as paixões da saúde,  da prosperidade,  da auto-ajuda, dos milagres, do curandeirismo,  do ego inflamado, do sucesso pastoral deixam de ser centralizadas e assumem um discreto lugar na periferia da alma,  ondem podem ser educados, humanizados, respeitados e assim, transformados em dons.

Esta ascese nos fará responder sem medo, sem necessariamente repetir a venerável profissão petrina, mas com as marcas únicas de uma relação personalizada no “amo por que amo” e degustada na experiência de “amar e ser amado” pela Trindade em Jesus de Nazare.

Aqui a Eucaristia revela todo seu esplendor,  pois no Amado, com Ele e por Ele, professamos, louvamos, adoramos, cantamos, dançamos no tom da harmonia de uma Ação de Graças que supera todas as expectativas.

Neste Mistério entendemos o “poder das chaves” onde corações amados são abertos no Amado Coração e dele recebem o dom da liberdade para educar, acompanhar,  curar, unir, reconciliar e pacificar.  Sendo assim, o inferno enlouquece.

Por pe. Éder Carvalho Assunção. Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África padre.eder@hotmail.com

Uma leitura Orante : Leituras do Dia

1ª Leitura – Is 22,19-23
Salmo – Sl 137,1-2a.2bc-3.6.8bc (R. 8bc)
2ª Leitura – Rm 11,33-36
Evangelho – Mt 16,13-20

 

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