15 de Julho de 2017

Mesmo caídos,  desenraizados e sufocados encontramos força na graça da Eucaristia

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“E verbo se fez carne,  e habitou entre nós” Jo1, 14

A Palavra se fez gente como agente, doravante não nos encontramos mais com uma letra, uma legislação,  uma escritura… e sim, com uma Pessoa. Jesus Cristo é Palavra do Pai, ele particularmente não deixou escritos, mas “encontros” que depois foram relatados pelos autores sagrados.

Com o surgimento da escritura como uma das formas da comunicação humana, muitos povos decidiram “escrever a vontade de Deus” e assim, muito se perdeu da mística do encontro devido a idolatria da letra, câncer da religião. O Antigo e o Novo Testamento são fontes de Revelação, pois expressam a história de fé de um povo, eleito não por privilégio,  mas por vocação e missão: anunciar Deus ao mundo, como Aquele que cuida e ama. Pena que muitas vezes a Escritura Sagrada foi e é utilizada segundo a conveniência e vontade uma humana. Como nos diz são Paulo, a letra sem espírito mata (cf. 2Cor3, 6).

Muitos querem seguir o Cristo ao pé da letra, e por isso caem na idolatria de si mesmo, transformam a religião em empresa para alegrar o ego. Não segue a Cristo “ao pé da letra” e sim “ao pé da Cruz”, onde as vaidades e prosperidades caem por terra.

Na Leitura Orante de hoje rezo esta liturgia colocando o Pai como semeador, o Filho como a semente e o Espírito como cultivador. Aqui não faço nem exegética,  nem hermenêutica,  simplesmente uma via de oração.

  1. O Pai Semeador lança na gratuidade em todos os terrenos as “sementes do Verbo”(cf. São Justino). Sendo assim, todas as culturas humanas recebem o afago, a ternura, o cuidado, o amor do Pai. Todos os exclusivismos caem por terra. Toda pessoa humana, independente dos seus atos, é obra do amor do Pai, é filha amada que traz em sim uma vocação: Ser humano de boa vontade.
  2. O Filho Semente se lança na Encarnação em todos os terrenos humanos, realizando uma “reforma agrária existencial” cuidando daqueles caídos à beira do caminho (Bom Samaritano), dando raiz aos desenraizados (Zaqueu), fecundando os que eram oprimidos pelos espinhos (Madalena) e criticando duramente os que se achavam “terra boa”(Fariseus e doutores da lei).
  3. O Espírito Cultivador é aquele que atualiza no hoje da história a Gratuidade do Semeador e a Potencialidade da Semente, que pode se encontrar adormecida no coração humano. Aos caídos de hoje, acoitados pelo mal à beira do Caminho,  o Espírito ensina-os a despertar a semente através da renúncia e do sacrifício de louvor, exorcismos naturais. Aos sem raízes o Espírito oferece o enraizador natural da memória cordial, na aceitação da própria história,  no amor pela vida concedida do alto. Aos sufocados pela sedução do mundo o Espírito ensina a encontrar a cura nas fragilidades e nas limitações,  mostrandos que as quedas e frustrações são um nada em comparação ao desejo de “continuar existindo em Cristo”. Aos que se acham em “terra boa” o Espírito ensina o caminho da humildade e do cuidado, pois terras fecundas em excesso podem construir santos pelos próprios méritos,  quem idolatram a própria imagem e assim, negam o sacrifício redentor, pois o adubo egocêntrico queima e mata.

Quando reconhecemos nossas quedas à beira do caminho e os açoites do Mal em nossa vida,

quando reconhecemos as lutas interiores onde negamos as nossas raízes, 

quando reconhecemos que somos limitados e fragilizados diante das seduções que me convidam à todo momento,

tenho a oportunidade de me deixar mover pelo Espírito e assim rezar:

Sozinho eu não posso Senhor, pelo Mistério de tua Paixão, Morte e Ressurreição, salva-me Senhor!

Mesmo caídos,  desenraizados e sufocados encontramos força na graça da Eucaristia, 

Palavra que se faz Encontro,

a graça de ser terra boa, não por méritos,  mas por vocação e missão. 

Agora sim podemos cantar e gritar de alegria como o salmista de hoje.

Tudo isso é promessa do Pai: Jesus desceu do céu para amorizar a humanidade, regando-a com misericórdia,  fecundando-a com a Cruz e saciando-a com a Eucaristia. Portanto,  deixemos de lado a corrupção que escraviza, a síndrome do “sou terra boa” e assumamos em dores de parto nossas quedas e açoites,  desenraizamentos e sufocamentos, para assim dar a luz: Vida Nova em Cristo Jesus.

Por pe. Éder Carvalho Assunção. Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África padre.eder@hotmail.com

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