02 de Abril de 2017

E Jesus chorou

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E Jesus chorou

Este versículo expressa a beleza do mistério da salvação, onde Deus em sua providência escolheu chorar com lágrimas humanas, estas que são o sacramento de um amor incondicional e gratuito, que o levou à experiência do “esvaziamento” para preencher a vida daqueles que o esqueceram.

A Trindade estremeceu-se no seu íntimo, com o coração humano-divino de Jesus de Nazaré, nesta epopeia de ternura, Deus salva a humanidade experimentado a mesma em sua totalidade. As lágrimas que lavaram a face de Jesus são as mesmas lágrimas do seu Coração, que chorou Batismo e Eucaristia no Altar da Cruz.

Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas
e conduzir-vos 

Quando tomamos consciência de tão grande amor passamos a valorizar as nossas lágrimas, tantas vezes despejadas inutilmente por causa de sofrimentos causados pelo egoísmo e pelas escolhas incoerentes: lágrimas de ódio, “lágrimas de crocodilo”, lágrimas de vingança. As lágrimas de Jesus são de ternura e compaixão e nelas devemos nadar para deixar as nossas sepulturas existenciais e assim se deixar conduzir por Aquele que nos amou por primeiro.

Das profundezas eu clamo a vós, Senhor,*
escutai a minha voz!

Reconhecer que estamos no fundo poço, se afogando nas lágrimas das escolhas incoerentes: eis o primeiro passo para a ressurreição. Nem sempre é fácil reconhecer que estamos nas profundezas, num inferno existencial cheio de amargura, porém, é nas amarguras que devemos recordar a doçura de Deus e assim, clamar: Senhor, por tua Misericórdia, salva-me!

E, se o Espírito daquele
que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós,
então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os
mortos vivificará também vossos corpos mortais
por meio do seu Espírito que mora em vós.

O mesmo Espírito que lacrimejou a Face e o Coração de Jesus vem em nosso auxílio. Deus desce sempre, se humilha, se inclina… diferentemente de nós, orgulhosos, cheios de vazio, rígidos. Paixão, Morte, Ressurreição, Pentecostes… tudo se manifesta no interior da alma que clama, pois tudo isso é dom e não mérito.

‘Senhor, aquele que amas está doente.’

Jesus sabe das nossas doenças porque antes de tudo, ele nos ama. É neste amor que nos deleitamos, é nele que encontramos a cura, mesmo se as doenças físicas permanecem. Pois a cura do coração é algo extraordinário, onde as limitações físicas deixam de ser prioridade e o curso da vida é aceito com naturalidade. Querer saúde física eterna, negar a limitação e as doenças, não aceitar a morte como irmã Páscoa, é próprio daqueles que ainda não conhecem a Jesus de Nazaré.

‘Senhor, se tivesses estado aqui, 
meu irmão não teria morrido.

Ah! Não podemos esquecer que as lágrimas de Jesus também foram lágrimas de amizade. Infeliz é aquele que não chora seus amigos. A comunhão de lágrimas cura a existência e acalenta o ser. Jesus, Lázaro, Marta e Maria vivenciaram uma amizade que nem a história pode guardar em seus livros. Imagine as gargalhadas, a conversa jogada fora, a alegria de estarem juntos, a fraternidade na simplicidade das pequenas coisas. Encontrar um amigo em Cristo na dinâmica do Espírito é encontrar a ressurreição. O Amor zelado de uma amizade é mais forte que a morte.

‘Desatai-o e deixai-o caminhar!’

Nesta liturgia escolha ser Lázaro e não tenha medo de escutar a voz do Amado Amigo. Ele desata os nós de nossas incongruências e nos deixa a caminhar rumo à felicidade. Não se esqueça que a felicidade mais que a satisfação de desejos é “se contentar em contentar a Deus” (S. Myriam de Jesus Crucificado).

Lágrimas que fecundam a Missão

Para saber se as lágrimas que derramamos na contemplação deste mistério são “lacrimejadas pelo Espírito”, devemos avaliar nossa “comunhão de lágrimas” com aqueles que mais sofrem, através do ministério da compaixão. Lágrimas “espiritualizadas” sem missão de compaixão, afogam. Comunhão de lágrimas com os que mais sofrem, salva!

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Um leitura orante:

1ª Leitura – Ez 37,12-14

Salmo – Sl 129,1-2.3-4ab.5-6.7-8 (R.7)

2ª Leitura – Rm 8,8-11

Evangelho – Jo 11,1-45

 

 

 

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