O Desrespeito da Petrobrás para com os Povos Tradicionais na Amazônia

Por Pe. Éder Carvalho Assunção – Coordenação de Pastoral da Prelazia de Lábrea padre.eder@hotmail.com
Queops Melo – Comissão Pastoral da Terra
Cláudia Maria Tomé Wapichanab – Conselho Indigenista Missionário

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Base de Apoio da Petrobrás no Rio Tapauá AM

Os Povos Indígenas vivem há mais de 12 mil anos na Amazônia e são os principais responsáveis pela preservação do maior bioma do Planeta.

Bastaram algumas décadas do século passado para o “Civilizado Governo Brasileiro” fomentar a destruição da Floresta com os seus povos através de políticas públicas depredatórias.

O Tráfico Humano sempre foi utilizado pelo Governo como meio para aumentar o PIB e garantir assentos e prestígios em organizações econômicas mundiais a partir da premissa: quanto mais PIB, mais recursos para a Corrupção e manutenção da classe política. Fala-se em distribuição de renda, porém fecha-se o ano com 17 bilhões para “o programa bolsa família” e 180 bilhões para “o programa bolsa banqueiros”.

O Tráfico humano se enraizou nos ciclos da borracha (final do século XIX e durante a Segunda Guerra), no vergonhoso e desastroso plano da Ditadura Militar (homens sem terra para terra sem homens) e, nas presentes obras do PAC liderada por um pseudo governo populista que abandou sua base ideológica e o carisma dos movimentos sociais que aí o colocaram.

Neste panorama apresenta-se a Petrobrás. Na mídia recente oscila entre a Princesinha do ouro preto; que alavanca a economia nacional; e a Filha rebelde das inúmeras denúncias de fraudes bilionárias em suas licitações.

Na Amazônia, a Bacia do Solimões se tornou o ponto chave da Petrobrás, que agora, não bastasse todo flagelo social do município de Coari, que conta com uma das maiores arrecadações do Estado do Amazonas, porém, os impactos sociais e ambientais da exploração são sentidos pelos empobrecidos deste município.

A Prelazia de Lábrea, através do seu bispo, D. Jesus Moraza, enviou missionários (Coordenação de Pastoral, Conselho Indigenista Missionário e Comissão Pastoral da Terra) para exercerem o controle social na base de apoio da prospecção de petróleo que está sendo realizada pela Petrobrás no município de Tapauá, sem diálogo e consulta das populações tradicionais que moram em torno da obra, contrariando a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

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Poluição = Embarcação da Petrobrás

Antes de chegar na base, depois de dias de viagem pelos rios Purus e Tapauá, contemplamos o Povo Indígena Palmari nas várias aldeias e as comunidade ribeirinhas, em total harmonia com a natureza, num sistema de pesca manejada, de roçados de subsistência, plantio e colheita da castanha, extração da andiroba e da copaíba, enfim, em livre progresso sustentável no estilo bem viver.

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Harmonia-Bem Viver = Embarcação Ribeirinha da Comunidade Deus é Amor do Rio Branco – 15km da Base de Apoio.

“Confesso que deparar-se com as balsas da Petrobrás: heliportos, guinchos, combustíveis, uniformes, seguranças etc… desentoa profundamente com a proposta global de preservação. Os povos da Floresta não desejam aumento deste tipo de economia, desejam apenas continuar no seu modo de vida e a melhor política pública é a criação de mais unidades de conservação”.

Povos Indígenas que foram profundamente feridos e sobreviveram à Colonização, ao ciclo da borracha, agora se deparam com este que constitui hoje o verdadeiro Mapinguaribe: a exploração de Petróleo com lucros para uns poucos e mazelas sociais para milhões. Prometem-se reparos sociais: escolas e hospitais, mas na verdade o que acontece é o flagelo dos filhos da terra.

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Crianças e Moradia do Povo Palmari – Aldeia Terra Nova – Petrobrás entrou na Terra Indígena sinalizando com pinturas e placas, sem pedir licença

Nesta região, existem povos livres, indígenas que sabem onde nós estamos e fizeram a opção do não contato conosco, por causa da triste memória das matanças do passado, e hoje, devem ser respeitados na sua liberdade.

Em comunhão com as populações tradicionais: ribeirinhos e indígenas, reiteramos nosso grito pela vida, nossa espiritualidade de resistência, nossa opção pelo “Bem Viver”.

Lábrea, 21 de março de 2014.
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